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Maternidade: por que cuidar da saúde mental.

  • 8 de mai.
  • 5 min de leitura

Flores, sorrisos e uma felicidade transbordante. É assim que a maternidade costuma ser retratada nas redes sociais, nas propagandas, nas histórias que nos contaram desde criança.



mãos de mãe e filha


Mas e quando a realidade chega com cansaço extremo, choro sem motivo aparente e uma sensação de que você deveria estar sentindo algo diferente do que sente? Você não está sozinha. E não há nada de errado com você.



A romantização da maternidade que silencia


A maternidade é, ao mesmo tempo, um dos períodos mais intensos e mais negligenciados da vida emocional de uma mulher. A sociedade ainda idealiza tanto a figura materna que muitas mães não se sentem autorizadas a dizer que estão sofrendo. Afinal, como uma mãe pode não estar bem?


Esse silêncio tem um custo alto. A depressão pós-parto afeta entre 20% e 25% das mães brasileiras, segundo a Fiocruz, e ainda assim segue sendo um assunto cercado de tabu e julgamento. Falar sobre tristeza, exaustão ou ambivalência em relação à maternidade ainda é visto, por muitas pessoas, como falta de amor pelo filho.


Mas a verdade é outra: reconhecer a dificuldade é o primeiro passo para atravessá-la com mais leveza.



O que acontece com o corpo e a mente


Durante a gestação e o puerpério, o organismo feminino passa por uma das maiores transformações que um ser humano pode experimentar. As mudanças hormonais são intensas e afetam diretamente o humor, o sono e a percepção de si mesma. Some-se a isso a privação de sono, as novas responsabilidades, a pressão social e, muitas vezes, a falta de uma rede de apoio, e temos um terreno fértil para o sofrimento emocional.


Entre os principais sinais de alerta que merecem atenção estão:


  • Tristeza persistente ou choro frequente sem causa aparente

  • Ansiedade intensa, especialmente em relação à saúde e ao bem-estar do bebê

  • Irritabilidade e dificuldade de se conectar emocionalmente com a criança

  • Medo ou insegurança diante da nova rotina

  • Isolamento, com recusa ao contato social e à ajuda de outras pessoas

  • Exaustão além do cansaço físico — uma fatiga que não passa nem com descanso


Esses sintomas podem indicar ansiedade pós-parto ou depressão pós-parto, condições que não devem ser ignoradas e que têm tratamento eficaz.



O esgotamento que não tem nome


Nos últimos anos, surgiu um novo termo para descrever algo que muitas mães já sentiam há muito tempo: o burnout parental. Diferente da depressão, ele se manifesta como um esgotamento emocional progressivo ligado especificamente ao papel de mãe ou pai.


Quem passa por isso pode sentir que ama seus filhos, mas odeia o que a maternidade se tornou no cotidiano. Essa sensação, longe de ser monstruosa, é um sinal de que algo precisa mudar na rotina, nas expectativas ou no suporte disponível.


Mães solo, em especial, carregam uma carga ainda mais pesada, acumulando funções que impactam diretamente a saúde mental e física. Para elas, a necessidade de uma rede de apoio real, não apenas virtual, é ainda mais urgente.



A saúde da mãe é a saúde do bebê


A Organização Mundial da Saúde reforça que o desenvolvimento emocional e cognitivo dos filhos depende diretamente do bem-estar materno. Isso significa que cuidar de si não é egoísmo, é essencial para toda a família.


Uma mãe emocionalmente saudável consegue criar vínculos mais seguros, responder às necessidades do bebê com mais presença e atravessar os desafios da criação com mais recursos internos. O autocuidado não compete com a maternidade: ele a sustenta.



Pequenos gestos que fazem diferença


O autocuidado no pós-parto não precisa ser grandioso para ser transformador. Ele pode e deve ser simples, viável e livre de culpa.


Algumas práticas que ajudam no bem-estar emocional:


Peça ajuda sem medo. 

Você não precisa dar conta de tudo sozinha. Delegar é sabedoria, não fraqueza.


Mantenha atividades que façam bem. 

Uma leitura, um banho demorado, um passeio ao ar livre. Pequenas pausas nutrem a mente.


Cuide do sono quando possível. 

A privação de sono agrava quadros de ansiedade e depressão. Aceitar ajuda para dormir mais é um ato de cuidado consigo mesma.


Pratique respiração consciente ou meditação. 

Técnicas simples de atenção plena ajudam a reduzir o estresse e a ansiedade do dia a dia.


Abandone a perfeição. 

Uma mãe real, presente e imperfeita é infinitamente melhor do que o ideal inatingível que nos ensinaram a perseguir.


Considere acompanhamento psicológico. 

Buscar suporte profissional de forma preventiva ou diante dos primeiros sinais de sofrimento é um ato de coragem e amor próprio.



O papel de quem está por perto


A saúde mental de uma mãe não é responsabilidade só dela. Parceiros, familiares e amigos têm um papel fundamental e muitas vezes subestimado nesse processo. Pequenas atitudes do cotidiano podem fazer uma diferença enorme para quem está atravessando um momento de vulnerabilidade.


Se você convive com uma mãe, especialmente no período do pós-parto, aqui estão formas concretas de apoiar:


Pergunte de verdade como ela está. 

Não apenas "tudo bem?", mas uma pergunta genuína, com tempo e espaço para a resposta. Muitas mães estão esperando alguém perguntar para finalmente poder falar.


Ofereça ajuda prática, sem esperar ser pedido. 

Em vez de "me avisa se precisar de algo", experimente "posso buscar as compras na quinta" ou "que tal eu ficar com o bebê por duas horas amanhã para você descansar?". Ofertas específicas são muito mais fáceis de aceitar.


Divida as tarefas domésticas sem que ela precise gerenciar tudo. 

O chamado "trabalho invisível" (organizar, lembrar, planejar) pesa tanto quanto o trabalho físico. Assumir responsabilidades sem precisar ser orientado é um presente imenso.


Evite comparações e conselhos não solicitados. 

Frases como "na minha época era assim" ou "você está exagerando" podem isolar ainda mais quem já se sente sozinha. Escutar sem julgar vale mais do que qualquer conselho.


Valide o que ela sente. 

Dizer "faz sentido você estar cansada" ou "é muito mesmo o que você está carregando" pode ser exatamente o que ela precisa ouvir. O reconhecimento emocional alivia e conecta.


Incentive (com gentileza) a busca por ajuda profissional. 

Se você percebe sinais de sofrimento prolongado, expresse sua preocupação com carinho e ofereça apoio concreto como pesquisar juntos um profissional ou acompanhá-la à primeira consulta.


A maternidade nunca foi e nunca deveria ser uma jornada solitária.



Quando buscar ajuda profissional


Se os sintomas persistem por mais de duas semanas, interferem nas atividades cotidianas ou afetam o vínculo com o bebê, é fundamental buscar apoio de um profissional de saúde mental. A depressão pós-parto é uma condição séria que exige acompanhamento médico e terapêutico e tem tratamento.


Lembre-se: pedir ajuda não é sinal de fraqueza. É o gesto mais corajoso que uma mãe pode fazer por si mesma e pela sua família.



Uma última palavra


A maternidade é real, complexa e multifacetada. Ela pode ser, ao mesmo tempo, a experiência mais bonita e a mais desafiadora da sua vida, e não há contradição nisso.


Toda mãe merece atravessar esse caminho com apoio, cuidado e sem culpa. A saúde mental importa. Não como apêndice da maternidade, mas como parte essencial de quem se é.


Gostou deste conteúdo? Compartilhe com uma mãe que você conhece. Às vezes, a informação certa chega na hora certa.

FARMÁCIA MINEIRA

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Responsável técnica: Maria José de Paula Avelar

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